discussão sobre o sistema de saúde inglês

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal partilha algumas características importantes com o inglês, e olhar para o que se passa em Inglaterra é sempre útil.

Uma das propostas para o National Health Service inglês baseia-se na introdução de mais concorrência, que está no entanto longe de ser uma questão pacífica, ou alicerçada em evidência suficientemente forte para não haver contestação. Um aspecto é claro, a discussão promete ser quente. Encontra-se uma visão contrária às propostas do Governo inglês aqui, por uma das pessoas mais influentes na área da política de saúde em Inglaterra.

Esperemos que o nosso debate seja também baseado em contribuições de qualidade.

(post gémeo com momentos económicos)

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revista de imprensa…

O Diário Económico e o Jornal de Negócios de hoje têm notícias interessantes:

– introdução dos hospitais EPE dentro do perímetro orçamental, isto é, assumir que o Estado irá lá meter dinheiro nas situações de falência técnica; a opção será deixá-los falir, como sucederia com um hospital privado.

– Glintt e Baxter – que fornecem serviços e equipamentos – foram condenadas por concertação de preços, após denúncia de um hospital.

A primeira notícia corresponde a uma transparência do sistema, que é desejável, até porque vai obrigar a também ser claro quanto às situações de falência técnica – há responsabilidade da gestão? em que medida? e se há, qual o custo para a má gestão que tenha eventualmente existido? (note-se que os problemas podem ser resultantes de aspectos estruturais ou conjunturais fora do controlo das equipas de gestão, pelo que não se pode partir imediatamente para a responsabilização da gestão).

A segunda noticia é reveladora de que as “ineficiências” devem ser procuradas também nas aquisições feitas, seja por concertação de preços de quem vende bens e serviços seja por concertação entre quem vende e representantes de quem compra. A sugestão aqui é a de sortear uns quatro ou cinco hospitais e fazer auditorias rápidas e profundas às aquisições feitas (se se quiser, apenas de um determinado montante) e ao funcionamento dos serviços que tratam dessas aquisições. Sem suspeitas especiais, apenas como factor de informação e de dissuasão futura. Estou certo que também por aqui se encontrariam “poupanças de custos”.