Evento: discussão pública sobre o documento do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar

NOVA SAÚDE

Contributo para a Reforma Hospitalar

No seguimento da consulta pública do relatório produzido pelo Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar, a Universidade NOVA de Lisboa promove uma sessão de discussão pública NOVA SAÚDE, sobre as opções e iniciativas enunciadas no relatório. A Universidade enquanto instituição não vive separada da sociedade.

A discussão tem como ponto de partida um documento de apreciação elaborado por docentes de várias Faculdades e Escolas da NOVA, presentes no sector da saúde. A iniciativa NOVA SAÚDE constitui uma contribuição da Universidade e do conhecimento nela gerado.

A sessão de debate, aberta ao público, na presença do Reitor da NOVA, António Rendas, terá lugar no dia 5 de Janeiro, das 10h30 ao 12h30, na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, no Campus de Campolide.

A mesa redonda NOVA SAÚDE conta com a presença de:

  • José Mendes Ribeiro (coordenador do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar)
  • José Caldas de Almeida (Faculdade de Ciências Médicas, NOVA)
  • Gilles Dussault (Instituto de Higiene e Medicina Tropical, NOVA)
  •  Adalberto Campos Fernandes (Escola Nacional de Saúde Pública, NOVA)
  • Moderador: Pedro Pita Barros (Nova School of Business and Economics, NOVA)

Entrada livre, sujeita a registo para nova.comunica@unl.pt

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Evento: Health Systems in Transition – Portugal

Cara/o Colega,

O Observatório Europeu sobre Sistemas e Políticas de Saúde e a Universidade Nova de Lisboa têm o prazer de o convidar para uma sessão sobre o futuro do sistema de saúde. A discussão terá lugar por ocasião do lançamento da actualização do relatório HiT (Health Systems in Transition) de revisão do sistema de saúde em Portugal, que terá lugar no dia 10 de Janeiro de 2012 na Universidade Nova de Lisboa.

O Observatório Europeu publicou a actualização da revisão do sistema de saúde português pela quarta vez em 2011, com referência ao ano de 2010, mas a situação actual é fundamentalmente diferente da que existia no momento de publicação das revisões anteriores em 1999, 2004 e 2007, em que o clima económico global era mais estável. A incerteza no enquadramento económico pode dar um ímpeto efectivo ao repensar do futuro das políticas e dos sistemas de saúde. Este encontro procura partilhar visões de como sustentar serviços de saúde de elevada qualidade em Portugal apresentando as principais forças e os principais desafios que se colocam a Portugal, comparando com outros países Europeus. É importante que os decisores políticos, os especialistas e a população portuguesa partilhem e escolham a forma como desejam o seu sistema de saúde organizado e financiado para o futuro.

A sessão é aberta, estarão disponíveis cópias do relatório HiT sobre Portugal. Encontra-se em anexo detalhes do programa e local da sessão.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Pita Barros
Nova School of Business and Economics
Faculdade de Economia
Universidade Nova de Lisboa
Campus de Campolide – 1099-032 Lisboa – Portugal
 
Josep Figueras
Director
European Observatory on Health Systems and policies
WHO European Centre for Health Policy
4 rue de l’Autonomie
1070 Brussels – Belgium

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Dear Colleague, 
 
The European Observatory on Health Systems and Policies together with the Universidade Nova de Lisboa would like to cordially invite you to a discussion on the future of the Portuguese health system. The discussion will take place at the occasion of the launch of the newest update of the HiT (Health System in Transition) health system review on Portugal on 10th January 2012 at the Universidade Nova de Lisboa
 
The European Observatory published this Portuguese health system review for the fourth time in 2011 but the situation today is fundamentally different to the times when the previous profiles were published in 1999, 2004, and 2007 when the global economic climate was more stable. Economic uncertainty can be an effective impetus to rethinking the future of health policies and services. This meeting aims to share views on how to sustain high quality health services in Portugal by presenting the strengths and challenges of the Portuguese health system compared to other European countries and find out how policy makers, experts and the Portuguese people will want to see their health system organized, financed and provided in future. 
 
We very much hope that you will be able to participate in the event.
Please find attached more details on the program and the conference setting. 
Yours sincerely,
 
Pedro Pita Barros
Nova School of Business and Economics
Faculdade de Economia
Universidade Nova de Lisboa
Campus de Campolide – 1099-032 Lisboa – Portugal
 
Josep Figueras
Director
European Observatory on Health Systems and policies
WHO European Centre for Health Policy
4 rue de l’Autonomie
1070 Brussels – Belgium
Mais informação: Portuguese HiT launch v211211

Q&A- o documento da reforma hospitalar

(post gémeo com o blog momentos economicos)

Colocaram-me há dias algumas questões levantadas pelo documento sobre a reforma hospitalar que está neste momento em discussão pública, ver aqui, http://www.min-saude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/politica+da+saude/discussao/reforma+hospitalar.htm

Como vou tentando fazer costume, divulgo as perguntas e as respostas que tenho (mesmo que não sejam completas e necessitem de futura revisão)

Questão: De acordo com este trabalho [relatório sobre a reforma hospitalar], os índices de “produtividade” e de custo médio por doente-padrão revelam grandes disparidades de região para região. De acordo com os cálculos efectuados, a popupança potencial que resultaria da evolução de todos para o nível do verificado na região mais eficiente (Norte) oscilaria entre os 765 e os 787 milhões de euros. Se esta análise fosse feita tendo em conta o indicador “custo médio do doente-padrão”, a poupança potencial ainda seria mais elevada: 1 294 milhões de euros. Ou seja: não seria necessário cortar tanto quanto é preconizado pela troika para 2012 no memorando de entendimento assinado com o Governo, nem mesmo o montante que o Ministério da Saúde pretende cortar no próximo ano. Concorda com esta análise? É verdade que os hospitais da região Norte têm sido, do ponto de vista global, melhor geridos ao longo dos últimos anos (explicação fornecida ao PÚBLICO pelo Dr. Mendes Ribeiro?) Ou haverá aqui outros factores que justificam os piores resultados apresentados pelos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo, cujos resultados operacionais registaram um agravamento substancial em 2010? (De acordo com o estudo, em 2010, os hospitais da região Norte, para uma população quase igual à servida pelos de Lisboa e Vale do Tejo, gastaram 1 858 milhões de euros, contra 2 321 milhões de euros em Lisboa e Vale do Tejo, portanto menos 463 milhões de euros. Há outras explicações possíveis, como por exemplo, a menor rectaguarda de cuidados continuados e o menor número de USF?

Resposta: As diversas informações, quantitativas como essas e qualitativas, apontam para que a ARS Norte tenha feito um bom trabalho nos últimos anos em termos de reorganização, acompanhamento e estímulo à eficiência das instituições da região (incluindo algumas concentrações e racionalizações de serviços). Daqui não se pode saltar directamente para todas as regiões terem os mesmos custos, já que é necessário acomodar as diferenças das populações servidas (por exemplo, população mais nova no Norte que no Alentejo; maior dispersão geográfica no Sul que no Norte, com consequentes diferenças de acesso, etc…). As diferenças para a região de Lisboa são, provavelmente e à luz dos dados conhecidos, excessivas e revelam que há margem para ter menores custos em Lisboa e Vale do Tejo.

Questão: Há explicações para as discrepâncias tão acentuadas como aquelas que se  encontram no estudo: por exemplo, o número de doentes operados por cirurgião oscila entre os 74 em Lisboa e Vale do Tejo e 111 no Algarve e o número de cirurgias por cirurgião varia entre os  76 em Lisboa e Vale do Tejo e 107 no Norte?

 Resposta: A resposta honesta é “não sei”. Enquanto não tivermos um “atlas de variações de prática clínica”, que documente as diferentes opções de tratamento efectivamente prestado, entre hospitais e zonas do país, para idênticas condições clínicas, e não se souber com detalhe diferenças de produtividade por médico por instituição, não sabemos se as diferenças se justificam pela complexidade dos casos tratados ou não.

Questão: Acredita que  seria possível evitar cortes no orçamento para o sector da saúde desta forma que parece tão simples para um leigo, melhorando o desempenho dos hospitais menos eficientes para níveis próximos dos mais eficientes? Se a resposta é sim, quantos anos seriam necessários para se chegar a esta convergência?

Resposta: Melhorar o desempenho nunca acontece de forma rápida ou simples. Os cortes no orçamento podem estimular essa melhoria de desempenho. Para que qualquer instituição se torne ineficiente, desperdiçadora de recursos e orientada apenas para o seu interior, basta que tenha sempre assegurado que o que gasta será pago por alguém. Foi o que sucedeu com os hospitais do SNS ao longo do tempo. Se as instituições fossem eficientes, os cortes no orçamento só seriam acomodáveis com reduções de actividade. Com instituições ineficientes, os cortes no orçamento estimulam a procura de soluções de melhor funcionamento, sobretudo se houver um controle efectivo de quem paga sobre a quantidade e qualidade dos serviços prestados. O ritmo de convergência depende dos mecanismos adoptados – se for credível que um hospital feche, ou que a sua gestão é demitida e todos os trabalhadores sofrem uma redução salarial de 10%, caso tenha maus resultados financeiros para transferências adequadas à sua actividade, então o ritmo de convergência poderá ser colocado em 3 a 5 anos. Se não houver qualquer sanção da má gestão, ou havendo mesmo prémio no sentido de reforço financeiro, então não haverá convergência.

EVOLUÇÃO RECENTE DA SITUAÇÃO ECONÓMICO-FINANCEIRA DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE – ENQUADRAMENTO DO ACTUAL CONTEXTO

Novo documento disponibilizado no site da Associação Portuguesa de Economia da Saúde,

EVOLUÇÃO RECENTE DA SITUAÇÃO ECONÓMICO-FINANCEIRA DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE – ENQUADRAMENTO DO ACTUAL CONTEXTO

Autores: Ana Sofia Ferreira e Manuel Teixeira

Link: http://www.apes.pt/user_files/Evolu%C3%A7%C3%A3o_recente_da_SEF_do_SNS_Nov_2011.pdf

inovações de organização no serviço nacional de saúde

Apesar de todas as discussões sobre o sistema português de saúde e sobre o Serviço Nacional de Saúde, é no dia a dia das instituições que se faz o futuro e se melhora a saúde da população. Por esse motivo, a divulgação de experiências organizacionais é de todo o interesse.

Um grupo de profissionais da Unidade Local de Saúde de Matosinhos lançou a ideia de um procedimento diferente de pré-admissão de doentes cirúrgicos, publicando não só a ideia, como levando-a à prática. É uma sugestão promissora, merecendo um comentário rápido.

A ideia de uma “walking clinic” (ou consulta preparatória, se quisermos dar-lhe um nome em português)  parece corresponder ao tipo de transformações organizacionais que é desejável ver ocorrer no sistema de saúde nacional (e não apenas no hospital público ou no Serviço Nacional de Saúde).

Primeiro, tal como apresentada, a proposta de “walking clinic” coloca o doente no centro da atenção, analisa e cria um melhor percurso para o doente dentro do sistema. Em vez de o doente “viajar” pelo sistema à procura das várias componentes dos serviços de saúde que necessita, são estas componentes que “viajam” ao encontro do doente num único ponto. É claro o potencial para uma maior satisfação do utente com este novo percurso dentro do sistema de saúde.

Segundo,  a identificação da oportunidade de melhoria na organização dos cuidados parte dos profissionais que conhecem a realidade que servem e assegura o seu compromisso para com o sucesso da iniciativa.

Terceiro, poderá contribuir para uma melhor articulação entre níveis de cuidados, um aspecto normalmente reconhecido como importante mas conhecido pela sua dificuldade na prática.

Quarto, tem potencial para uma redução de custos, quer para o hospital, quer para o próprio utente, neste último caso sobretudo custos de tempo e incómodo. Para o hospital, implicará sobretudo custos evitados de internamento desnecessário. Se não envolver custos acrescidos, para além dos associados com a reorganização necessária do espaço físico, a proposta da “walking clinic” será provavelmente bem vista aos olhos da administração do hospital.

Sendo claros os benefícios que esta iniciativa potencialmente tem, é adequado pensar igualmente nos desafios que se lhe colocam, e como poderão ser vencidos.

Primeiro desafio, como reagirão os doentes. É necessário assegurar que estes reconhecem o novo modelo de contacto como de igual qualidade à alternativa de três consultas. Não será certamente difícil garantir essa percepção do doente, mas convém não descurar este aspecto.

Segundo desafio, o modelo da “walking clinic” obriga a uma coordenação de tempos (dos médicos envolvidos) e do espaço que será importante respeitar de forma continuada. O risco é funcionar bem no início e mais tarde conforme forem surgindo necessidades de excepções, as três consultas passem a 2 + 1 e depois se caia novamente no modelo 1 +1 +1. A reorganização do espaço físico e sua manutenção são fundamentais para que o modelo da “walking clinic” seja interiorizado pelos profissionais envolvidos e pela organização, pelo hospital.

Terceiro desafio, articulação com os cuidados de saúde primários. A (sempre desejada) articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares é muitas vezes prometida e raramente cumprida. Esse risco existe aqui também. Correndo o risco de ser injusto com a proposta da “walking clinic”, essa articulação parece limitar-se a procedimentos administrativos de referenciação. Seria importante que semanalmente ou de duas em duas semanas houvesse uma reunião conjunta de apreciação e seguimento dos casos referenciados entre quem referencia e os profissionais envolvidos na “walking clinic”. A presença física e contacto directo agilizam a discussão e a compreensão mútua quanto à melhor forma de orientar o percurso do doente no sistema.

Quarto desafio, sendo louvável que na proposta se considere desde já um horizonte temporal para avaliação dos resultados da mesma, é de toda a importância que os critérios (e consequências) dessa avaliação sejam conhecidos desde o início. Essa definição permitirá uma maior facilidade de recolha de informação, e uma maior objectividade na avaliação da experiência inicial e definição de ajustamentos posteriores que se venham a revelar necessários.

Quinto desafio, sobreviver ao entusiasmo inicial. Como em todas as iniciativas que partem de baixo para cima, há um entusiasmo e um compromisso com a proposta que é patente na defesa da ideia. Inevitavelmente, este entusiasmo irá chocar contra uma “muralha” de dificuldades no dia a dia da sua aplicação. Essa muralha terá aspectos administrativos, institucionais e possivelmente até pessoais. Importa que essas dificuldades sejam ultrapassadas, e que a cada dificuldade superada o entusiasmo seja renovado. Será preciso acarinhar a “walking clinic” não apenas nos momentos iniciais, mas durante os seus primeiros anos, até que se torne “tradição”.

Comparando benefícios com custos, o saldo parece resultar positivo para todos os intervenientes, utentes, profissionais de saúde e administração do hospital. Não se dispondo de informação sobre os custos implicados e benefícios esperados, em termos previsionais, a apreciação resulta da presunção de que os custos adicionais estão sobretudo associados com a reorganização do espaço físico e os benefícios com a redução de tempos de internamento e a utilização mais racional dos meios de diagnóstico disponíveis.

Cabe agora provar que a promessa se concretiza. Tenho a esperança de que num prazo breve se escreverá um comentário à “walking clinic” não em termos condicionais e sim no presente de uma aposta ganha.

 

(post gémeo com momentos económicos)

conta satélite da saúde

Estando normalmente a nossa atenção quase exclusivamente centrada no Serviço Nacional de Saúde e nos seus números, perdemos por vezes a noção dos valores globais do sistema de saúde. Felizmente, o INE publica regularmente a conta satélite da saúde, fornecendo a melhor visão integrada das relações económicas e financeiras do sistema de saúde nacional. Os dados mais recentes podem ser consultados aqui, e conforme for havendo tempo e engenho iremos discutindo e comentando o que nos tem para dizer a conta satélite da saúde.