Hospital

Análise Sumária efectuada ao Relatório de Acompanhamento na Execução dos Contratos-Programa 2010,Instituições Hospitalares e Unidades Locais de Saúde do SNS,realizado pela ACSS,(Administração Central do Sistema de Saúde,IP) e publicado em Agosto de 2011.

Grau de cumprimento do objectivo: Demora Média

.A nível nacional, é o indicador que regista mais incumprimento,(76% das instituições não cumpre o contratualizado,apenas 20% consegue atingir).

A demora média é um indicador importante,que possibilita aferir a eficiência e os indicadores de qualidade dos Estabelecimentos de Saúde.Aumenta por múltiplas razões,sendo a mais comum, o número insuficiente de camas de Cuidados Continuados e Paliativos.A disponibilidade destas camas no sistema de saúde, deve ser o garante da continuidade de tratamentos,que não são necessários realizar em meio hospitalar.
A demora média é um factor importante no consumo dos recursos das unidades de saúde, em 2009 os doentes registaram 8,2 dias média de internamento hospitalar. Este valor é superior à meta estabelecida para 2010 de 6 dias. Nos últimos 7 anos verifica-se uma tendência de descida da demora média, o que é animador.
O número de doentes saídos por cama hospitalar/ano teve um aumento de 31,8 para 34,8 de 2004 a 2009,no entanto, ainda está abaixo da meta definida no Plano Nacional de Saúde para 2010 ( 50 doentes saídos por cama hospitalar/ano).
É relevante analisar que a sexta-feira é o dia da semana que acontece mais altas.O sábado e principalmente o Domingo, apresentam um menor número de altas.

A discussão deve ser feita, com o objectivo de conseguirmos propostas geradoras de mais eficiência e qualidade para todos os agentes.

4 responses

  1. Sobre a Demora Média
    Como sempre, a média é um indicador curioso e simples, mas que em saúde poderá equivaler a saber o que sentimos no estômago quando a cabeça ferve e os pés estão gelados antes de sair ou nos porem fora de um Hospital (que muitas vezes são locais perigosos para a saúde :))
    Concordo plenamente que “o número insuficiente de camas de Cuidados Continuados e Paliativos” e algum descontrolo entre a Gestão Hospitalar e a Gestão da Rede de Cuidados Continuados são em unissomo, um grande causador desta situação.
    O objectivo de 50 doentes saídos por cama hospitalar/ano era perfeitamente atingível não fosse, como é habitual no País, mesmo com “aplicativos mais ou menos sofisticados”, haver tanta falta de unidade de direcção e decisão.E tanta falta de multidisciplinaridade e bom senso, só porque quem manda é que é muitas vezes o mais importante.
    Se as autarquias locais que desperdiçam muito dinheiro em “obras de duvidosa utilidade”,se aliassem à solução do problema teríamos muita coisa facilitada.
    Portugal não é um País que funcione bem em rede.Porque há ainda muitos buracos de organização e processos, neste caso na saúde. Este momento será óptimo para melhorar.
    Para que o indicador Demora média seja bem analisado e gerido,visando a sua melhoria, estou muito por termos duas realidades que derivem de “dividir” o País em dois subrectangulos no rectangulo vertical que somos (Litoral e interior com cerca de 100kms de largura cada).Para, pedagogicamente explicar às populações que há realidades, como as do Médio Tejo, que são impensáveis num País com poucos recursos, mas excesso de capacidade instalada).
    E que a Grande Lisboa e o Grande Porto são mundos especiais e como tal mais bem explicitados para além dos relatórios e dos sites.
    Nota simples e complementar:
    não encaixo muito bem na minha análise de melhoria e da gestão de processos em saúde, o “gigantismo” das ARSs como a do Vale do Tejo (por exemplo)…
    A 31.12.2010 a ARSLVT (Sede e ACES) tinha 1.009 profissionais em CTFPTRC, 762 quotas em concurso e 247 profissionais fora das cotas (está no relatório 2010)
    No total dos 1009 profissionais 53,7% eram assistentes técnicos e administrativos.
    Terão demora média aceitável na forma como trabalham:))?
    E como está a ARS articulada com a UMCCI na sua área de actuação na convergencia para a melhoria do indicador “demora média”?Terão falta de recursos humanos ou de sistemas de informação, coordenação operacional e decisão?
    Nota final: não gosto de médias.:))
    FVRoxo

  2. As médias e as percentagens,não invalidam a análise dos mais variados contextos que se nos apresentam.Grande Lisboa e Grande Porto,merecem cuidados específicos na abordagem da contratualização.As Instituições de Saúde que prestam cuidados assistenciais,não devem entrar no incumprimento do que acordaram,a não ser que se verifique um verdadeiro estado de irrealismo no momento das negociações.As ARS s devem ter um papel de concepção organizativa da região, em conjunto com todos os agentes que participam nas actividades desenvolvidas.

  3. Caro JVFernandes
    Concordo com o seu comentário.Geral e sintético.
    Mas em Saúde (a par da justiça) há 2 parâmetros que não podem ser só rearrumados: a saude é um elemento muito dinâmico e o bem fundamental.A lei é um parametro que não deve impedir o bom funcionamento.
    A saúde está bastante bem para o ponto de onde partimos em 1974.
    A Justiça (de uma forma geral o quadro institucional da vida da Sociedade) está bastante mal.Face ao que era a tradição do direito administrativo , por exemplo, antes 1974.
    Se cruzarmos na saúde, leis e regulamentos, para além da Grande Questão da Ética, com o que se aponta para fazer e cumprir e não é cumprido, só pode dar “demoras médias de morte” à margem da lei.:)
    “Unidade de direcção, decisão e controlo, multidisciplinaridade para além dos grupos de trabalho e comissões para tudo e mais alguma coisa,é o que falta”.Mas este é um ponto de vista.Temos uma grande oportunidade nesta crise de optimizarmos o que temos.We can:)
    Cumprimentos
    Fvroxo

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